Quer em termos de qualidade, quer em termos de quantidade, não pode haver comparação possível, por muito que se queira. Por outro lado, a concepção que tem de patriotismo é totalmente oposta àquela que eu, e outros como eu, temos. Alguns de nós éramos, antes de tudo, moçambicanos convictos. Daí que a nossa postura, relativamente aos momentos conturbados que naquela altura vivemos, tenha sido muito diferente de outros, cujas prioridades seriam também outras. Sabemos que a Frelimo lhe queimou o acampamento que detinha na Mazamba em 1972 e que, de seguida, fugiu de Moçambique procurando refúgio em Angola. Também a Safrique sofreu idênticas consequências, quando o acampamento do Pompué foi queimado e quando se verificou o ataque armado (com uma vítima mortal) ao acampamento do Nhamacala. Mas nem por isso desistimos. Fomos persistentes e, com a nossa persistência, demos mostras do nosso patriotismo que, como se vê, é diferente daquele que o Victor Cabral professa. Se é verdade que continuou a fazer safaris, ainda por muito tempo, depois de a Safrique ter deixado de existir por força das circunstâncias que todos conhecemos, também não deixa de ser verdade que os valentes caçadores-guias da Safrique, que foram forçados a deixar Moçambique, fizeram exactamente o mesmo. Nada de extraordinário, portanto. A certa altura, diz o Victor Cabral: “Até demos trabalho a algum director da Safrique que antes nos fazia guerra.” Ora vamos a ver se chamamos as coisas pelos seus nomes. Quando se refere a “algum director da Safrique” a quem deram “trabalho” deverá, por certo, estar a referir-se ao Adelino Serras Pires, uma vez que os outros dois directores da Safrique mal sabiam o que era caçar ou ser caçador. Entre aqueles que viveram, por dentro e de modo profundo, o tema do turismo cinegético sabem como, quando e pela mão de quem Moçambique atingiu o alto nível que atingiu a nível mundial. Adelino Serras Pires inundou a Safrique e Moçambique de turistas das mais variadas proveniências e das mais diversas condições sociais. De artistas de cinema, passando por astronautas e personalidades políticas de relevo, de tudo passou pela Safrique. Tendo a carteira de clientes que Adelino Serras Pires tinha, aliada à imensa legião de amigos cuja influência é inegável, é-nos difícil imaginar que um indivíduo de tal craveira tenha, alguma vez, aceite emprego de quem quer que fosse. Não porque tal situação possa ser considerada menos nobre, mas antes porque tal necessidade jamais existiria. E imaginamos bem, porque sabemos que assim não foi e porque também sabemos que Adelino Serras Pires calcorreou África e meia após ter abandonado Moçambique, sempre dirigindo todos os projectos que então delineou. Também sabemos que foi pela mão de Adelino Serras Pires que o Victor Cabral promoveu a sua organização Angolana por terras do Tio Sam e que o seu projecto de vida no México teve, em boa medida, origem no Adelino. Por estas e outras coisas, achamos incoerente e até mesmo injusta a afirmação que faz, quando diz que o director da Safrique em causa, “antes vos fazia guerra…” Francamente, Victor Cabral. Já se esqueceu dos favores que lhe foram feitos quando levou os seus clientes a caçar na Coutada 6? Recorda-se de quem o convidou, a si e aos seus clientes, a caçar nas coutadas da Safrique? Se lhe falta a memória, eu recordo-lhe que o foi o Adelino Serras Pires quem lhe proporcionou essa rara oportunidade. O Victor Cabral termina o seu comentário dizendo que se trata apenas de um desabafo. Pois é… desabafos todos têm. Só que a necessidade desabafar não é sinónimo de indelicadeza nem de inexactidão. Vamos todos desabafar sem magoar ninguém. Resta-me acrescentar que, neste espaço, só escrevo acerca daquilo que sei. Mas posso publicar material da autoria de outros, desde que se enquadre no conteúdo que aqui vertemos. Sempre recebemos de braços abertos toda a colaboração que nos tem sido prestada. O que não posso é escrever sobre algo que desconheço e publicar imagens que não existem ou que eu não detenho. Um abraço. AJ
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