tema de fundo:
LA NAVE DEL OLVIDO
frank pourcel
Durante uma operação de autêntica propaganda, o chefe do governo deu a conhe-
cer  aos  portugueses  a  sua última aposta para o sector da educação. Tudo suce-
deu há um par de  meses.  Na altura,  foi prometido que o computador "Magalhães"
iria ser distribuído por todas as crianças e em todas as escolas. Agora, existem cer-
ca de 400.000 crianças em lista de espera para receber o famigerado "Magalhães".
Entretanto, muitas dúvidas e interrogações se colocaram aos portugueses. Se o tal
computador pode ser  adquirido a  preços desde 20 euros, quem paga o resto e de
de que forma.  É que o preço  do brinquedo  ronda os  250 euros,  preço normal de
venda ao público.  E porque não foi efectuado um concurso público para  o forneci-
to do tal computador?
Também se veio a saber, mais tarde,  que a empresa que monta o "Magalhães" tem dívidas ao fisco que ascendem a
cerca de 1 milhão de euros. Corre, nos tribunais, uma acção judicial por via deste melindroso assunto que, pelos vis-
tos, foi ignorado pelo governo. Resta saber ainda quais serão as vantagens práticas desta medida.
Desde os professores às  Associações de Pais e Encarregados de Educação,  toda a gente faz perguntas a que nin-
guém quer ou sabe responder. Nem sequer foi garantido o fornecimento de serviços de ligação à rede para acesso à
internet. Na hora de pagar a factura, ninguém sabe quem vai pagar. Câmaras Municipais ou Ministério de Educação?
E assim vamos andando, cantando e rindo... até que alguém se lembre de colocar fim a esta paródia socialista.
Que vida é a tua?
«A trabalhar é um  desembaraço/para nós
foi  uma  alegria/para dar  mais um passo
com esta nova tecnologia».
Esta é uma das rimas que os professores
foram convidados,  pelo Ministério da Edu-
cação,  a inventar para  louvar os computa-
dores Magalhães. Exacto.
Os  docentes   das   escolas  públicas  em
acções  (supostamente) de formação para
aprenderem  a  utilizar  esta  tecnologia fo-
ram  convocados,  quais  catraios  de sete
anos, para entoar  melodias como «Ó ma-
lhão, malhão». Com letras de  glorificação
a esses computadores que, como a maio-
ria  dos  leitores  saberá  (considerando  a
imensa  operação  de propaganda),  o Go-
verno tem  distribuído gratuitamente às cri-
anças nas escolas.
Aliás,  nem seria  preciso criar mais ske-
tches
.  Bastaria aquelas «sessões de ci-
ber-esclarecimento e difundi-las em epi-
sódios. Políticas que visem a introdução
da  tecnologia  no ensino são,  à partida,
benéficas.  Mas devem  ser acauteladas
condições  que assegurem  a sua eficá-
cia.De nada adiantam, sem formação a-
dequada para professores e até pais.
São contraproducentes, aliás, se não fo-
rem  garantidas, entre os alunos,  outras
capacidades  básicas,  sob  pena  de se
começar a construir a casa pelo telhado.
Autilização  de umasimples  calculadora,
sem  que  se  interiorize  o raciocínio ine-
rente  às  operações  aritméticas,  leva a
que  se  queimem  etapas  que  transfor-
mar-se-ãoemgraves lacunas.
E  claro  que,  para os professores,  gerir
uma  turma com  computadores  implica
competências diversas. Por exemplo, se
lidavamcom  recadinhos  em papel para
o aluno  do  lado, agora poderão  ter que
enfrentar  mensagens  electrónicas para
vários colegas em simultâneo. Por outro
lado, um  negócio  com  a  dimensão  de
produção e distribuição do Magalhães e-
xigia  total  transparência.  Mas as  condi-
ções em que o Governo gere esta opera-
ção que envolve verbas avultadas não fo-
ramesclarecidas.  Acresce que Sócrates
e seus ministros,  secretários de Estado
e  directores   gerais  envolveram-se   na
promoção  do Magalhães  comportando-
se como  vendedores ambulantes e não
como membros dum Governo.
Estas sessões formativas sobre o tão pro-
palado  «
primeiro portátil luso»  para pro-
fessores (e com o objectivo de ensinar ou-
tros  professores)  transformaram-se num
enxovalho dos docentes, com laivos de té-
cnicas  de  dinâmica de  grupos da Coreia
do  Norte.  Encontram-se,  no
YouTube,  ví-
deos destas palhaçadas. Vêem-se os pro-
fessores  a  abrir  as  goelas  com  as  tais
musiquetas  enquanto  gesticulam  sincro-
nizadamente. A sério. Patético é pouco. Os
docentes deveriam recusar-se a participar.
Mas nada justifica o desplante  do Ministé-
rio em propor tais macacadas. O executivo
de  Sócrates  conseguiu transformar,  qual
anti-rei Midas, uma medida importante nu-
ma paródia nacional.  Já  devidamente por
todos os humoristas do país.
E,  assim,  o portátil   metamorfoseou-se
numa  linda  chacota que encontra o seu
símbolo  nos  professores  a  entoar  e a
encenar poesia de santos populares em
jeito de elogio ao dito PC.  Mas este des-
respeito  só é  possível  enquadrado nos
sucessivos   ataques  que   essa  classe
profissional e  a escola pública têm sido
alvo.O significativo aumento de reformas
antecipadas  evidencia  o mal-estar nes-
-sas  instituições,  que se aproximam do
grau zero da dignidade. A maior instabili-
dadede  sempre,  fruto  da  obsessão da
ministra em reduzir  custos e apresentar
resultados  sem olhar  ameios.  Este Go-
verno  tem  culpado  os  professores  por
tudo o  queestá  errado  nas  escolas, do
insucesso ao abandono.  E, simultanea-
mente, falha em políticas educativas que
promovam a melhoria do ensino: não re-
duz  o  número  de aluno  por  turma, não
garante  apoio aos  milhares de crianças
com necessidades educativas especiais
(os que mais  protegidos  deveriam ser),
sobrecarrega  os professores, multiplica
fichas de avaliação e burocracias.
Enfim. Magalhães ou os prémios de mé-
rito aos estudantes,  eventos entre as re-
uniões  de tupperware e  campanhas  do
Estado Novo, só servem para uma coisa:
mascarar as fragilidades no ensino. Mas
pior  é arrastarem  professores  e alunos
como bobos da corte. Assim, quem real-
mente  vive  e faz  as  escolas já só pode
perguntar:
«Ó Malhão, ó Ministra, que vida é a tua?»
por Joana Amaral Dias
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AI MAGALHÃES, MAGALHÃES ...
AI MAGALHÃES, MAGALHÃES ...
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24 de Outubro de 2008
 
POLÍCIAS AGREDIDOS À TACADA
TRÊS AGENTES FORAM ATACADOS POR UMAUTOMOBILISTA QUE SE EXALTOU
Uma agente da Divisão de Trânsito da PSP de Lisboa foi assaltada, anteontem, cerca das 19h00, à entra-
da da estação do Metro do  Marquês de Pombal localizada junto ao Banco Brasil.  A polícia encontrava-se
devidamente uniformizada e armada, mas ficou em estado de choque quando o ladrão lhe levou a mala.
No local estiveram duas viaturas da  PSP  e dez polícias.  O assaltante não tinha sido identificado até ao fi-
nal do dia de ontem. A agente recebeu assistência médica.
Texto ● Carlos Tomás
Três jovens agentes da PSP, com idades compreendidas entre os 20 e os 30 anos,  foram agredidos com um taco de basebol, na ma-
drugada de ontem, em Alcântara, Lisboa, junto ao antigo Café Café,  na Rua de Cascais – que liga à Avenida de Ceuta.  A violência das
agressões foi ta l que um dos polícias ficou até temporariamente em estado de coma,  apurou o 24horas.  A agressão foi praticada por
um automobilista que foi abordado pelos agentes após praticar uma manobra perigosa.  “Os agentes encontravam-se de serviço, mas
em gozo de  algumas horas de folga.  Não se encontravam fardados.  Fazem parte da última escola de  formação da  Escola Prática de
Polícia e têm pouca experiência”, explicou ao 24horas um responsável policial.

Os três polícias terão dado ordem de pa-
ragem  ao  condutor  e  pedido que ele a-
presentasse  os  documentos.  Porém, o
visado  não  terá acreditado que  se trata-
vam  efectivamentes de agentes da auto-
ridade e os ânimos exaltaram-se. A dada
altura,   o  automobilista   deslocou-se   à
sua viatura,  argumentando  que  apenas
iria buscar os documentos.
Pancadas na cabeça
Só  que  em  vez  dos  documentos  o ho-
mem trouxe um taco  de basebol e desa-
tou à pancada aos polícias.
 
 
Um dos elementos  da PSP
ficou  temporariamente  em
coma  e os   utros sofreram
ferimentos   graves.  Foram
todos parar ao hospital.
Ao final  da tarde  de ontem
dois   deles  já   tinham  tido
alta.

Todos foram agredidos na cabeça e na zona do tronco,  sofrendo ferimentos graves e ficado tombados na rua.  De colocou-se em fuga
e, ao final da noite  de ontem,  ainda não tinha sido identificado.  Os polícias foram transportados de ambulânciaUm dos elementos da
PSP ficou  temporariamente em coma e os outros sofreram ferimentos graves.  Foram todos parar ao hospital.  Ao final da tarde de on-
tem dois deles já tinham tido alta para o Hospital de São Francisco Xavier, um deles em estado de coma. Dois deles acabaram por ter
alta ainda durante  o dia de ontem,  mas o outro,  após recuperar do coma,  permaneceu internado no Serviço e Observações  daquela
unidade hospitalar. Perante cenas como esta, o presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia, Paulo Rodrigues, não
tem dúvidas:  “Vêm aí tempos muito negros.  Perdeu-se o respeito pelas forças de autoridade e o  Governo nada tem feito para motivar
os agentes”. O responsável sindical salienta que “neste momento a PSP está sem capacidade para responder à violência da noite”.
António Ramos, presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia, assume o mesmo discurso e não poupa críticas ao  actual regu-
lamento da PSP:   “Estas situações só acontecem  porque os responsáveis  políticos têm  criado legislação  que só fazem  os polícias
perder poder.  Se sacam de um bastão ou efectuam um disparo são de imediato alvo de processos disciplinares e não raras vezes de
processo-crime.” Os três agentes estão colocados na Divisão de Loures da PSP e estão os três de baixa médica. ■
Criação de postos de trabalho: 150.000
Redução de funcionários públicos: 75.000
Crescimento da economia: 3%
Défice orçamental: 1,5%
SCUT's: sem portagens
Entrega de "Magalhães": 500.000
109.000 postos de trabalho criados
63.500 funcionários públicos reduzidos
0,6% é a previsão (optimista) para 2009
2,2% previsão do défice para 2009
Portagens pagas em quase todas as SCUT's
100.000 "Magalhães" entregues até agora
O primerro-ministro, José Sócrates, prometeu na
campanha  eleitoral  de
2005  pôr  a  economia a
crescer  ao   ritmo  de  
3% no  final  da  legislatura
(2009),  criar
150 mil postos de trabalho e reduzir
em
75 mil o número de funcionários públicos. As
últimas  previsões do Governo,  presentes  no Or-
çamento do Estado para 2009, deixam cair estas
metas.  O Executivo  prevê agora que, no próximo
ano,  a economia  cresça cerca de
0,6 % -  um ce-
nário optimista, já que a recessão é uma ameaça
real,  como alertam  muitos economistas.  E entre
2005 e 2009,  segundo os  números  do Governo,
deverão  ser  criados pouco  mais de 109 mil em-
pregos,  menos  41 mil  face ao  prometido.  Uma
função pública mais leve e  um défice orçamental
de 1,5%  do PIB  (a tender para zero nos anos se-
guintes)  eram outras  das promessas.  Se na pri-
meira o  Governo  ficará relativamente próximo da
redução de 75 mil funcionários  -  a redução líqui-
da agora  projectada poderá  chegar aos 63,5 mil,
disse o  ministro das Finanças.  
Já a  previsão para o défice público está longe de
ser tão cor-de-rosa. O défice cairá de 6,1% do PIE
em 2005, para 2,2%em 2008
 
PROMESSAS
"ZERO"
CUMPRIDAS
COM A VERDADE ME ENGANAS...
PROMESSAS
REALIDADE
Ainda assim, e fazendo fé nas
últimas sondagens publicadas,
os Socialistas ganharão as
eleições em 2009...
Dá para entender?
 
 
o Ministério Público de Moçambique  acusou formalmente o ex-ministro do Interior,  Almerindo Ma-
nhenje, já em prisão preventiva há mais de um mês, da prática de 49 crimes. O exgovernante é a-
penas um dos oito arguidos num processo que envolve acusações  de remunerações indevidas e
crimes de abuso do cargo ou de funções.
As detenções ocorreram após denúncias anónimas e os crimes em causa envolvem cerca de cin-
co milhões de euros.
Todos são presumíveis inocentes até ao trânsito em julgado.  Mas nem é isso que está em causa,
antes a invulgaridade de um processo por corrupção num país de África.  É de saudar, porque se
trata de um país que infelizmente, está entre os mais pobres do mundo,  mas que,  felizmente, co-
meça  a dar provas  de que a democracia  pode  aprender-se.  Edeve saudar-se ainda porque se
trata de um país onde se fala português.
 
 
 
O BOM EXEMPLO DE MOÇAMBIQUE
 
"SEXTA DIMENSÃO"
Na minha qualidade  de munícipe
de  Oeiras,  venho  por  este  meio
manifestar a minha incredulidade
e  revolta  por  ser  forçado  a votar
sem saber se um dos candidatos
à  presidência  da  Câmara come-
teu , ou não,  os  crimes  de que é
acusado.  Daqui a alguns  meses
terei de  ajudar a decidir se  Isalti-
no  Morais  continuará  à frente da
autarquia  e  falta-me   informação
para decidir em consciência.
Isaltino  clama  inocência,  garante
(inclusive em entrevista ao SEXTA)
que  não há  provas que o  incrimi-
nem  e manifesta  o  desejo de ver
resolvida   a  questão   o  mais  de-
pressa  possível.  Mas  esta sema-
na  ficámos  a  saber  que  a sua ir-
mã Floripes, co-arguida no proces-
-so, apresentou um recurso ao Tri-
bunal Constitucional alegando vio-
lação   da  Constituição  no  despa-
cho de pronúncia.
Este   recurso   suspende  o  julga-
mento,  que  deveria  começar  em
Janeiro  de  2009.
Ultrapassemos o palavreado legal
legal  e vamos ao que interessa:
seis  anos  depois  de ter sido indi-
ciado,  Isaltino  continua  sem  ir  a
julgamento.  De caminho, candida-
ta-se  por  duas  vezes a  um cargo
político de manifesta relevância.
É  verdade  que  todos  somos ino-
centes   até   prova   em   contrário,
mas  este  arrastar  de  pés,  entre
erros  da   Justiça   e   expedientes
dos advogados,  também já é abu-
sar da nossa paciência.
Quando,  lá para  Setembro, for vo-
tar  nas  autárquicas,  tenho de de-
cidir  se  quero  ou  não Isaltino no
poder  por  mais quatro anos,  cor-
-rendo  o  risco  de  o  homem  ser
preso durante o mandato.
Isto não é bom para mim, nem pa-
ra o próprio Isaltino de Morais.
E é trágico para a democracia.


Luís Francisco

"SEXTA"

24.10.08
 
Isaltino, recordo, foi indiciado em 2003, após  notícias  de
que teria  colocado dinheiro na  conta de um  sobrinho na
Suíça. Fez-se a instrução do processo,  mas foi necessá-
rio repetir tudo devido a ques- tões processuais. Ou seja,
alguns anos  depois, voltava-se  à estaca zero. Repetem-
-se  as  diligências e, finalmente,  o então  já  regressado
presidente  da Câmara  de  Oeiras  fica a saber  que  terá
mesmo de  ir a tribunal responder pelos crimes de corru-
pção passiva, participação económica em negócio, bran-
queamento de capitais, abuso de poder e fraude fiscal.
INÍCIO
Condutores notificados duas vezes para pagar a mesma multa
 
 
29 de Outubro de 2009.
Vários condutores portugueses foram notificados
duas vezes para pagarem a mesma multa.
A Autoridade  Nacional de  Segurança Rodoviária
(ANSR) reconhece  o problema  e garante que as
situações  detectadas estão a ser corrigidas. Em
comunicado  enviado  ao Jornal de Notícias (JN),
a  entidade  alega  que as  duplas  cobranças  se
devem  a  falhas no registo dos pagamentos das
coimas.  Em causa  estão autos  levantados pela
polícia no momento da infracção e pagos de ime-
diato.  A  ANSR  esclarece  que  a  cobrança  nem
sempre  é feita de  forma  automática.  As liquida-
ções feitas por dinheiro ou cheque são inseridas
manualmente e, por isso,  quando o jurista anali-
sa ao caso pode ainda não  ter conhecimento do
pagamento da multa. Não é conhecido o número
de  condutores  afectados  pelas  falhas  nas  co-
branças,  mas sabe-se que estas falhas estão a
ser  detectadas desde 2006. A ANSR garantiu ao
JN que as situações detectadas são corrigidas e
que “foram tomadas medidas para evitar, no futuro, e minorar, de imediato, as
falhas de registo verificadas”. A GNR e a Brigada de Trânsito dizem não ter co-
hecimento de casos de dupla  cobrança e remeteram os esclarecimento para
a  ANSR.  
Perante a ocorrência destas  falhas,  será  conveniente que os automobilistas
guardem o  comprovativo do  pagamento da multa  para  que evitem complica-
ções caso sejam notificados segunda vez para pagar a mesma coima.
UM ORÇAMENTO INCOMPETENTE E DESONESTO
 
Uma das  formas  mais graves de incom-
petência  é não  perceber o que é prioritá-
rio e  o que  é  secundário.   A política eco-
nómica em  Portugal deve  ter como obje-
ctivo final aumentar o potencial  de cresci-
mento  da economia,  que  caiu de  forma
estrutural  para  níveis  abaixo dos da UE,
remetendo-nos para uma divergência es-
trutural,  e remetendo-nos ainda para ser-
mos  ultrapassados  por  países  que en-
traram depois de nós,  ou seja, que estão
há muito menos  tempo a receber ajudas
da UE. É inacreditável que o Governo não
perceba que este é, de longe,  o mais im-
portante  e  mais  grave  problema econó-
económico português. O  Relatório do OE
continua a ignorar a existência deste pro-
blema  e,  como  o problema  é  ignorado,
praticamente não há propostas para o re-
solver.  Um  dos   traços   mais  evidentes
deste problema é a falta de competitivida-
de que tem levado a um elevadíssimo dé-
fice  externo  e  uma  dívida  externa numa
trajectória  explosiva.  
O  Governo  não tem  a desculpa  de dizer
que está a prestar mais atenção à gestão
da crise  conjuntural,  porque, justamente
esta,  com a crise do crédito,  veio exacer-
bar ainda mais  o problema  estrutural do
endividamento externo. Pode haver maior
incompetência  do  que  um  Governo não
perceber  qual é  o  mais grave  problema
económico   português?  Quanto  a  deso-
nestidade, os exemplos são inúmeros.
Desde  logo,  o cenário  macroeconómico
delirante.
 
Pedro Braz Teixeira
29 de Outubro de 2008
O mundo  está a  viver uma crise gra-
víssima  (que  leva  mesmo alguns a
vaticinar  o  fim da  economia de mer-
cado)  e a economia portuguesa (Ah!
valente) desacelera apenas duas dé-
cimas! Depois, só nas despesas de  
pessoal  tivemos duas desonestida-
des.  A primeira  foi a introdução inconsis-
tente de uma alteração metodológica.  Se
esta  alteração  fosse  aplicada  de  forma
consistente a 2009 e aos anos anteriores,
nada haveria a objectar.  A segunda deso-
nestidade  foi  dizer  que  esta alteração ti-
nha  sido  feita a  pedido  externo,  o que o
Eurostat prontamente desmentiu.
Estas  desonestidades foram rapidamen-
te  desmontadas,  daí a  pergunta:  qual a
lógica  de incorrer na crítica da desonesti-
dade  sem   qualquer  benefício?   Temos
que  concluir  que se t ratou de uma deso-
nestidade  incompetente. Temos  ainda a
desonestidade de falar  em consolidação
orçamental quando os défices  de 2008 e
2009 são obtidos com  receitas estraordi-
nárias,  como  se fossem  recorrentes.  A
diferença  entre  receita total  e  receita fis-
cal e contributiva era suposto ser 6,3% do
PIB em 2008, mas,  afinal, vai ser 7,3%. E
para 2009  espera-se  que esta diferença
suba para 8,5%. Se estas receitas perma-
necessem   no   nível  do   esperado  para
2008  (6,3% do PIB),  o  verdadeiro  défice
de 2008 seria  3,2%  do PIB   e o  de 2009
seria 4.4% do PIB. Ao verdadeiro défice de
2009 falta ainda adicionar mais duas par-
celas:  a  desorçamentação  (Estradas de
Portugal,  SCUT,  etc., etc.)  e o
optimismo orçamental. Com o
cenário  mirabolante de manu-
tenção   do    desemprego,  as
despesas  sociais   estão sub-
estimadas.  Já as  receitas fis-
cais  estão  triplamente  inflaci-
onadas. Por um  lado, o Governo  está de-
masiado  optimista  em relação ao cresci-
mento do PIB.  Em  segundo lugar,  e con-
trariamente ao que já se passou em 2008
o Governo prevê que haja um aumento da
eficiência fiscal.  Em terceiro lugar,  há um
conjunto  de  benesses  fiscais  que o Go-
verno apregoa,  mas  (diz o Governo) isso
não tem impacto sobre a receita fiscal.
Das duas uma,  ou  as  benesses  são in-
consequentes,  ou a  receita  está sobrea-
valiada.  Em  resumo, o verdadeiro  défice
de  2009  deverá estar  acima  dos  5% do
PIB. Na verdade, este é um orçamento de
altíssimo risco,  para ganhar as  eleições.
Se  o  Governo  ganhar  a  aposta,  depois
das eleições inventa umas patranhas (em
que são especialistas)  para  justificar por
que é que o défice,  afinal,  esteve tão lon-
ge  dos 2,2%.  Se o  Governo  perder  elei-
ções, o próximo Governo apanha com um
défice de mais de  5% do  PIB e vai-se ver
às aranhas para o domesticar. Já repara-
ram  como esta  jogada se parece com  a
dos  banqueiros  americanos?  
Fazem  uma  aposta  muito  arriscada;  se
correr  bem,  ganham   milhões;   mas  se
correr mal, a factura fica para os outros.
 
•  O último ano tem  sido  dominado  pela
palavra crise. Na economia, nas finanças
e na política.  É incontornável  e os sinais
chegam  de  todo o  mundo.   O preço  do
barril  de  petróleo disparou até um máxi-
mo  histórico   em  Julho,  seguido  pelos
combustíveis,   os  juros   cobrados  pela
banca igualmente, algumas das maiores
instituições financeiras  americanas abri-
ram  falência,  o  dólar  desvalorizou para
mínimos  face  ao  euro,  as  taxas de de-
semprego  aumentaram. Os  problemas
políticos  aguçaram-se  na Europa Orien-
tal,  e no Iraque a  situação continua algo
instável.
Tendo  em  conta  que uma larga fatia da
da crise  económico-financeira do último
ano se deve à escalada do  preço  do pe-
tróleo e dos combustíveis, seria de espe-
rar que os ânimos estivessem hoje mais
serenos.
Se em  Outubro do ano  passado o barril
se  cotava  a cerca  de 90 dólares,  ronda
agora os 67.  O percurso  foi  sempre as-
cendente   até  Julho,   quando  atingiu  o
marco  histórico  dos  147,27  dólares,  e
depois tem vindo a cair. Os combustíveis
no  entanto,  nem sempre  têrn  reflectido
esta  instabilidade,  mas  antes uma ten-
dência ascendente.
 
Como consequência directa, os combus-
tíveis  chegaram  igualmente a preços re-
corde,  fazendo  aumentar os preços dos
transportes  e  de boa  parte do cabaz de
compras. Os preços do ouro e de metais
preciosos  como  a prata  e a platina che-
gam a valores nunca antes atingidos.
Pelo mesmo  caminho  vão os cereais e,
indirectamente, todas as carnes.
Em  Portugal,   depois   de  consecutivas
queixas,  a  Autoridade  da  Concorrência
decidiu  levar  a  cabo  uma  investigação
para perceberse existe carte1 na  fixação
dos preços,  já que  os valores cobrados
variam   quase  sempre   apenas  meros
cêntimos entre as várias marcas.
Mas concluiu que não há concertação de
de preços.  Com o  avolumar  de críticas,
está  agora  a proceder  a  investigações
mais aprofundadas - em Espanha a sua
congénere faz o mesmo.  Para a história
fica  o protesto dos camionistas que fize-
ram  esgotar  o  combustível e quase pa-
rar o país.
Maria Lopes
maria.lopes@sexta.pt
jornal "SEXTA"
 
 
 
 
 
 
SOCRATES AND FRIENDS
 
 
 
É mesmo uma vergonha! O Primeiro Ministro deste país continua a
surpreender pela negativa, claro... enganou os miúdos...
Se não acredita, click sobre o título, e leia a notícia. Que tristeza !!!
 
 
We Have Kaos In
The Garden
blogspot.com
 
 
José Socrates não é o único
interprete da política de
mentira deste governo
socialista. O Ministro da
Agricultura, Jaime Silva, não
deixa os seus créditos por
mãos alheias, nesta matéria.
São os agricultores as
vítimas, desta vez...
 
Para que não fiquem
dúvidas, foram os
próprios especialistas
do conceituado
"Financial Times" a
avaliar as capacidades
do nosso Ministro das
Finanças, Teixeira dos
Santos. É "imperfeito",
dizem eles... por isso,
mereceu a honrosa
distinção, claro...
 
 
PORTUGAL E O PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS
 
 
Devido à "sangria" que se tem verificado no contingente de pilotos da
Força Aérea Portuguesa (FAP), que optam pelas vantagens
oferecidas pela aviação comercial, aquele ramo das forças armadas
não dispõe de pessoal suficiente para operar a frota de aeronaves
de que dispõe neste momento. Ainda assim...
 
 
 
Faça click sobre o título a
lado para ler toda a notícia.
SOCRATES NÃO PÁRA - Magalhães 2
O carro do futuro, acessível ao bolso
de todos os portugueses.
Click nas imagens para ampliar.
 
 
 
Agradecemos a José Tavares o envio desta "excelente" notícias, bem como as fotos do carro do futuro.
 
As mentiras que José Socrates, bem
como  o resto dos seus  "capangas",
vem dizendo aos portugueses desde
que chegou ao poder, são contraria-
das todos  os dias por  todos os índi-
ces credíveis, publicados por entida-
des e  organismos  internacionais in-
suspeittos e competentes.
Mas agora, também o Instituto Nacio-
nal de  Estatística (INE) vem tocar na
mesma orquestra e dizer o que o bol-
so dos portugueses já sentia e sabia:
Portugal vai de mal a pior e  os resul-
tados relativos a 2008 ainda nem se-
quer são conhecidos.  Mas a tendên-
cia continua a ser de queda no PIB.
Já vamos atrás de países como Malta,
Eslovénia, Chipre e pouco à frente da
Estónia e da Eslováquia...
O mal  maior  é que este governo não
sabe  que  medidas  deve  tomar para
inverter  esta  tendência.  Desde 2005
que a  divergência se  mantém, mas o
governo culpa a crise de 2008...
 
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