Por sua vez, a “parturiente”  de "As Inconfidências dos homens" disse que o Dia Internacional da Mulher é
celebrado a 8 de Março de cada ano. É um dia comemorativo para a celebração dos feitos económicos,
políticos e sociais alcançados pela mulher.

Num outro desenvolvimento, Rosa Langa insta à mulher moçambicana a ser persistente no que diz respeito
à sua secular luta na procura e na afirmação da igualdade dos seus direitos em relação aos do homem, bem
como em assegurar todas as conquistas até agora conseguidas em termos de direitos da mulher.

Paralelamente, apelou as mulheres casadas a observarem rigorosamente o seu papel social como forma de
garantir um lar feliz e  de “prender” o marido em casa. Sem, no entanto, deixar de chamar à atenção para a
prevenção e a realização de teste voluntário do HIV.
Este espaço  vai ser  dedicado  a  reportagens de diversa índole, mas sempre relacionadas com as realidades da Província de  "Sofala"  e  Vida  
Selvagem. Poderão enviar as vossas reportagens e comentários por email. Na última página deste site (CONTACTOS) existem locais apropria-
dos para poder enviar os seus comentários, mediante preenchimento do respectivo formulário mas,  neste caso, só para  envio de texto. Se, por
outro lado, pretender incluir também imagens deverá utilizar um dos contactos que abaixo se indicam. Ficamos a aguardar a vossa colaboração
que, desde já, muito agradecemos.
Tema de fundo: "SONG FOR ANNA"
De: Paul Mauriat
Tema de fundo: "SONG FOR ANNA"
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PRAIAS - AS 10 "MAIS"
PRAIAS - AS 10 "MAIS"
Na vila da Gorongosa
PNG implanta fábrica de secagem de frutas
A jovem vila autárquica da Gorongosa, em Sofala, conta desde 16 de Janeiro de 2009 com uma unidade de secagem de
frutas, a primeira do género em Moçambique. Este projecto do Parque Nacional da Gorongosa (PNG) visa diminuir as
actuais perdas de frutas estimadas em quase 80% da produção local, em resultado de procedimentos tradicionais na sua
colheita, tratamento e conservação que levam o rápido apodrecimento do produto antes de ser comercializado, aliado a
incapacidade  do  mercado regional  em absorver a  abundante colheita de tais produtos agrícolas.Por outro lado, pro-
põe-se a gerar emprego e renda nas comunidades rurais da Gorongosa, melhorando por conseguinte a vida das pessoas.
De acordo  com  o gestor da iniciativa, Alexandre Negrão, a secagem é, de  uma certa forma, a maneira de acrescentar
valor ao produto, evitando o desperdício de frutas que acabam muitas vezes no lixo de feiras livres e, até mesmo,super-
mercados.“Com a secagem, estaremos oferecendo um  produto adicional ao mercado, evitando assim o  desperdício em
período de safra, gerando emprego e renda para a comunidade” “O produto que passa por algum tipo de beneficiação
industrial tem um valor agregado, aumentando assim o seu valor de comercialização”. – – ressaltou Negrão.
“A Gorongosa é grande produtora de frutas in natura. A implantação desta fábrica está agregar valor às frutas produ-
zidas nesta região e outras zonas de Sofala”, disse o gestor do Projecto.
A unidade fabril que está laborar em regime experimental processa banana,  manga, ananás, papaia, tomate, laranja e
tangerina, frutas com  maior índice de produção  na região.  A produção ainda em  armazém será vendida no mercado
nacional e regional, nomeadamente  a África do Sul. A matéria-prima  é fornecida  presentemente por  54 famílias das
comunidades da Gorongosa (Tambarara, Canda, Vunduzi, Nhataca-1, entre outras zonas). A fábrica recebe igualmente
frutas  de  Muxungue  (distrito de Chibabava, em Sofala),  Chimoio (província de Manica)  e Nicuadala  (província de
Zambézia). A implementação do projecto consiste  em uma  unidade de secagem de frutas utilizando um secador undus-
trial. Inicialmente, está sendo feita uma produção de uma tonelada de frutas por dia.  Porém, o secador tem uma capa-
cidade instalada  para quatro toneladas por  24 horas. Quanto à força  de trabalho,  Alexandre Negrão adiantou que a
nova  fábrica ofereceu 30 empregos directos e tantos não quantificados em  regime  eventual. Trata-se de mão-de-obra
totalmente  regional,  visando beneficiar e valorizar  os profissionais locais, entre  extensionistas e o pessoal afecto em
diferentes áreas da produção, designadamente pesagem, lavagem, processamento, secagem, controlo de qualidade,pesa-
gem, empacotamento em vácuo e armazenamento do produto final.
 
 
O gestor do projecto, Alexandre Negrão
Paralelamente, o nosso interlocutor explicou resumidamente alguns
passos de como é o processo de secagem da fruta desde o recebimen-
to  da  matéria-prima até  o  empacotamento  do produto, ou seja, a
matéria-prima chega na indústria acondicionada em  caixas de plás-
tico, passando posteriormente pela lavagem a fim de  remover as su-
jidades de  superfície. Seguindo da selecção do produto que  visa se-
parar a matéria-prima lesionada da não lesionada, antes do descas-
que. Na  quarta etapa, a fruta é cortada  em fatias, colocada  em ta-
buleiros e postas na câmara de frio.Posteriormente,os tabuleiros são
transportados para o secador onde são alinhados de acordo com o
flow do ar quente. Dependente do tipo de fruta  e  dos parâmetros
(temperatura e humidade relativa) utilizados a secagem da fruta po-
de levar entre 18h  a 24h. Para  depois ser  embalada e colocada no
mercado à venda ao público.
 
 
O secador de frutas
Trabalhadoras em plena actividade
O secador foi montado num edifício, localizado no
centro  da  vila, cedido  gentilmente  ao PNG pela
Administração  do  Governo  do Distrito de Goron-
gosa para uma exploração por  tempo indetermina-
do a título grátis.
As estruturas administrativas beneficiárias encarre-
garam-se em fazer a reabilitação profunda do imó-
vel, cuja  empreitada de  construção  civil estava a
cargo  do  Sector  de  Infra-estruturas  do
PNG e a
sua conclusão  foi em finais  de Dezembro de 2008.
Estrutura antiga do edifício da fábrica de frutas

Carlitos Sunza
Departamento de Comunicação/PNG
 
 
Estrutura antiga do edifício da fábrica de frutas
Fruta (ananás) seca
Durante a celebração do Dia Internacional da Mulher no PNG
Jornalista e escritora Rosa Langa lança seu segundo livro
 
 
A jornalista e escritora moçambicana,  Rosa Langa,  lançou em 8 de Março de
2009, no Parque Nacional da Gorongosa  (PNG), em Sofala, o seu segundo li-
vro: "
As Inconfidências dos homens".  O acontecimento reuniu membros de
diferentes categorias da Equipa de Gestão do Parque e membros da comunida-
de do Vinho, distrito de Nhamatanda, em Sofala.  Rosa Langa compilou 27 en-
trevistas feitas a diferentes individualidades  masculinas, radiodifundidas parci-
almente na Rádio Moçambique (RM) - EP,  onde são abordados vários temas,
dos quais a  questão da sexualidade  masculina como,  por  exemplo,  os senti-
mentos  da primeira  experiência,  a utilização ou não de preservativo,  as rela-
ções ocasionais, relações com prostitutas,  circuncisão. Fazem parte desta co-
lecção as entrevistas de 25 artistas moçambicanos e dois estrangeiros, nomea-
damente Bonga, cantor angolano, e Rui Veloso,  músico português. “ Revela o
quão  preconceituoso  é  o mundo  em que  vivemos. E mais.  A obra de Rosa
Langa traz à luz a visão que os homens têm da mulher e  nesse entulho de per-
cepções da pessoa mulher se desdobra em escamas a dura verdade que a luta pela emancipação da mulher e pela igualdade de género vai perdurar ainda mais” - assinala no
prefácio o  Prof. Doutor José Mateus Muária Katupa, antigo ministro da Cultura, Juventude e Desportos de Moçambique. O livro é “revelador da paixão que a autora nutre
pelo jornalismo cultural. Como jornalista de mão-cheia,  Rosa Langa, assume o papel  instrumental para a exposição dos artistas dirigida aos  governantes onde colocam os
seus encantos e desencantos sobre gestão e direcção da Política Nacional da Cultura” – Escreve Katupa.
 
O lançamento inaugural  do livro foi a  22 de Agosto de 2008,  no  Centro  Cultural Franco - Moçambicano,
em  Maputo.  Depois seguiram-se as apresentações do dia 25 de  Setembro de 2008,  na Embaixada de Mo-
çambique, em Lisboa,  04 de Outubro de 2008,  em Pretória,  17 de Outubro de 2008,  na cidade de Pemba,
14 de Fevereiro de 2009, na cidade da Beira,  23 de Fevereiro de 2009,  na cidade de Quelimane e 8 de Mar-
ço, dia Internacional da Mulher, no PNG.  O Presidente da Fundação Carr e membro do Comité de Supervi-
são do  PNG,  Gregory Carr,  convidado a tomar palavra à margem da cerimónia de  lançamento da referida
obra literária parabenizou a autora e felicitou todas as mulheres por ocasião de passagem de mais um aniver-
sário alusivo ao  Dia Internacional da Mulher.  Por outro lado, destacou o projecto de restauração do Parque
e os benefícios directos que gera para as comunidades ao seu redor,  sobretudo na criação de oportunidades
de emprego para a camada feminina local. “O  PNG  reconhece o papel da mulher na sociedade e estamos a
lutar para melhorar a sua qualidade de vida” - concluiu Gregory, carinhosamente tratado por Greg.
 
Por sua vez, a “parturiente”  de  "As Inconfidências dos homens" disse que o  Dia Internacional da Mulher é
celebrado a 8 de Março de cada ano. É um dia comemorativo  para a celebração dos feitos económicos, po-
líticos  e  sociais  alcançados pela  mulher.  Num outro
desenvolvimento,  Rosa Langa insta à  mulher moçam-
bicana a ser persistente no que diz respeito à sua secu-
lar luta  na  procura e na  afirmação  da  igualdade dos
seus  direitos  em relação  aos do  homem, bem como
em assegurar todas as  conquistas até agora consegui-
das  em  termos  de direitos da mulher. Paralelamente,
apelou  as  mulheres  casadas  a observarem rigorosa-
rigorosamente  o seu papel  social  como forma de ga-
rantir um lar feliz  e  de  “prender” o  marido em casa.
Sem,  no entanto, deixar de  chamar à atenção  para a
prevenção  e  a realização de teste  voluntário do HIV.
Tomaram parte da cerimónia de lançamento do segun-
 
do livro da Rosa Langa no PNG diversos convidados com maior  incidências de mulheres, entre trabalhado-
ras do  Parque e  membros da comunidade do Vinho,  distrito de Nhamatanda.  Várias actividades de índole
cultural coloriram a festa de lançamento da obra literária  da jornalista radiofónica da  Emissora  Pública Na-
cional. A terminar, recordar que Rosa Langa lançou seu  primeiro livro, “
Moçambique, Mulheres e Vida”,
em 2006, numa colecção de 30 entrevistas de mulheres moçambicanas de diferentes estratos sociais. Rosa Langa,  nasceu no distrito de Chibuto,  província de Gaza, jorna-
lista cultural há 13 anos ao serviço da RM-EP. Foi colaboradora da Revista Tempo e do extinto jornal Campeão.
Carlitos Sunza
Departamento de Comunicação/PNG
09.03. 2009
 
Almoço de confraternização de Daviz Simango em Lisboa,  com simpatizantes.
DAVIZ SIMANGO, Presidente do MDM e da Câmara Municipal da cidade
da Beira de visita a Portugal, encontra-se com simpatizantes.
Igreja Nª Srª da Conceição
Lourenço Marques
Breve resenha da sua existencia
 
Retraía-se na sua pequena dimensão e singeleza,  perante a pretensiosa designação
de “catedral”.  Meia escondida atrás de frondosas arvores, no alto da Maxaquene,
aí e a partir de 1883, viu nascer a cidade  á sua volta. Solução ultima da pretensão
de munir Lourenço Marques de um templo católico, teve como antecedentes soluções
provisó- rias, insuficientes e toscas. As faltas de verba foram sempre as grandes
responsáveis.Assim, o primeiro templo de que há memória na região, foi do tipo”
palhota” e construída na Ilha da Xefina em 1648 por gentes de um “patacho”
português naufragado á entrada da baía, no tempo em que não podiam “pisar”
no território sem autorização do régulo.
A chamada Ilha dos Portugueses,  vizinha da Inhaca, é disso um exemplo. O seu nome deriva do facto de ter sido o local onde as tripulações e passageiros portugueses
com destino ao continente, aguardavam, por vezes durante meses, a autorização do senhor da região, normalmente negociando contrapartidas. Sabe-se que por cerca
de 1830, existiu uma capela já na área onde o burgo de Lourenço Marques estava começando a surgir. Foi de existência efémera, pois foi destruída num ataque do
povo  n’guni em 1833. Posteriormente foi construída uma outra, também em madeira, e já dedicada a Nª Srª da Conceição, padroeira da vila, implantada num local
onde nos nossos dias se situa a Av. D.Luis (Josefina Machel) em frente ao café Continental, recentemente desaparecido. Era no entanto, preocupação das autoridades,
a construção de uma solução definitiva que correspondesse não só aos anseios da população católica sempre crescente, como à dignificação da casa de Deus. Foi
quando o governador Canto e Castro, movido de impulso decisório, escolheu e designou o local para a construção que mandou assinalar com uma cruz de madeira.  
Decorria 1866. A localização escolhida por Canto e Castro não chegou a ser seguida, nem a obra de construção iniciada . O serviço religioso chegou a realizar-se
entretanto, numa casa alugada para o efeito. A 7 de Março de 1877 chega a Lourenço Marques uma chamada “Expedição de Obras Públicas”, segundo parece de
carácter itinerante, para resolver e impulsionar a realização de infra-estruturas públicas necessárias na zona, numa época em que quiçá não se justificaria ou não seria
possível, a existência de serviços permanentes. Joaquim José Machado, era o engenheiro chefe dessa expedição, que a seu tempo escreveu:
 
“A população católica desta vila é já assaz numerosa para que pudesse dispensar-se por mais tempo,
a edificação de uma igreja”. E mais dizia J.J.Machado “o edifício que se construir deve ter um
carácter definitivo, num local bem escolhido e com condições para ser útil por muitos anos”.
E foi
nestas bases que foi feito pelas Obras Públicas o projecto da nova igreja de Lourenço Marques,
aprovado em 1878. António Enes criticou-o fazendo entre outros comentários,
que teria “caricatas
pretensões a manuelino
”. A obra começou finalmente, e em 1882 o governador Chaves Aguiar já
afirma:
“Está em construção uma igreja num estilo realmente elegantíssimo, mas o pior, é que
tendo-se esgotado o orçamentado que era de 10.000$000 reis, e estando o segundo de 8.600$000 reis
já nos últimos reais, se não lhe acudirem breve com um terceiro, que para completo acabamento da
parte de construção, não poderá ser muito inferior aquelas duas verbas, porque as paredes estão
todas em osso e não está ainda feito nem um palmo de cobertura no corpo da igreja, as próximas
chuvas obrigarão depois, a gastar muito mais.”  
Como se verifica, o “hábito” das derrapagens orçamentais das obras publicas portuguesas, já vem de longe e ficou. Uma verba do governo e uma subscrição publica,
vieram colmatar a situação e a obra foi concluída “
com muita modéstia interior”. Foi inaugurada em Julho de 1883, com uma imagem de Nª Srª da Conceição,
bastante mutilada e com quinze centímetros de altura e um crucifixo em marfim e cruz de prata também de pequena dimensão. Só em 1887 chegariam de Lisboa outras
imagens. Foi entretanto adquirida por subscrição publica, uma nova imagem de Nª Srª da Conceição, vinda de Marselha, que foi solenemente exposta à veneração dos
fieis a 8 de Dezembro de 1888 e que permaneceu na igreja até á sua demolição, tendo passado em seguida e segundo julgo saber, para a nova catedral de Lourenço
Marques. A modéstia do interior da igreja provocou certo desencanto a D.António Barroso,na altura Prelado de Moçambique, que reagiu provocando algumas obras

de embelezamento interior, realçando sempre a incompatibilidade existente com a traça exterior. Sem obedecer a estilos arquitectónicos definidos, acabou por suceder
uma construção graciosa por equilibrada na sua simplicidade. Estava finalmente construída com carácter definitivo, a primeira igreja de Lourenço Marques, passando
a constituir uma espécie de ex-libris da cidade. Foi ainda adquirindo através dos tempos, a importância histórica que as solenidades litúrgicas da história da Colónia
que ali se foram realizando, lhe foram conferindo. Há que recordar por exemplo o solene Te-Deum em grande instrumental, de acção de Graças, quando da visita do
Príncipe da Beira, S.A.R. D.Luis Filipe de Bragança, em Julho de 1907. Foi ainda durante três anos Sé Arquiepiscopal. Constituiu sede de baptismo de varias gerações
e palco de casamentos sem numero. Na parte que me cabe, todos os membros da minha numerosa família, ali se baptizaram e casaram. Ali se casaram meus pais e se
baptizou minha mãe e eu próprio. Lembro-me que o terreno que circundava a igreja, era de areia solta, incompatível com os sapatos de verniz dos noivos e convidados
e dos vestidos compridos das senhoras. Quando se levantava vento, a poeira era tanta que impossibilitava as fotografias que habitualmente se tiravam à porta do

templo Nunca percebi a razão da sua demolição. O facto de ter sido construída uma nova catedral, não justifica o enorme disparate da demolição. No terreno que
ocupava, foi construída a sede do  Rádio Clube de Moçambique, que poderia ter sido construído noutro qualquer lugar. Espaço em Africa, nunca foi problema. Não
soube até hoje, de quem foi a “iluminada” decisão de fazer desaparecer inutilmente o primeiro edifício religioso da cidade, “consagrado no amor de muitos milhares

de corações” que o viram desaparecer com muita e justificada tristeza. Foi, em minha opinião, um crasso erro histórico. Sucederam a 15 de Agosto de 1944 as
primeiras marteladas.Das paredes se fez pó que o vento dispersou.
 
Ficou-me no entanto o espanto perante a realidade de tamanho crime cometido e da estupidez da decisão.
                                                                                                          
Eduardo Da Naia Marques . 2006
 
 
SARDINHADA BEIRENSE   -   A REPORTAGEM
Os nossos agradecimentos ao Mário e ao Carlos Santos pela colaboração. Um abraço.
 
 
AVENTURA EM SOFALA
Desde os primórdios da humanidade até os dias de hoje, o
Homem tem sempre explorado continuamente a natureza para
decifrar os seus mistérios. Acções de criatividade e
perspicácia favorecem–no a inventariar e a documentar várias
matérias por meio de fotos, vídeos e relatos escritos.
Nesta perspectiva, imbuído pelo espírito de aventura, um
grupo de amigos amantes da natureza e da fotografia esteve
recentemente em Sofala, na região centro de Moçambique,
numa expedição turística de 8 dias
.
A equipa composta por 12 pessoas, sendo cinco brasileiros, quatro moçambicanos, dois portugueses e um italiano (11 vivendo em Maputo e um em Johannesburg),
percorreu sucessivamente as grutas de Kodzué, no distrito de Cheringoma, as cascatas de Morumbodzi, a Serra da Gorongosa  e o Parque Nacional da Gorongosa
(PNG), no distrito com o mesmo nome, na província de Sofala. De acordo com cineasta e fotógrafo Chico Carneiro, brasileiro residente em Moçambique há 26 anos, um
dos membros do grupo de amigos amantes da natureza denominado “Moçambique Aventura”, a iniciativa visa conhecer e fotografar as belezas naturais, praticar e
divulgar o conceito de ecoturismo e promover o turismo interno em Moçambique, partilhando suas experiências através de exposições fotográficas e outros meios de
difusão massiva.  O grupo, constituído por homens e mulheres de diferentes nacionalidades e profissões, com idades entre 28 e 59 anos, caracterizou de uma forma
genérica as grutas de Kodzué do planalto de Cheringoma como espectaculares, maravilhosas, fantásticas, extraordinárias e impressionantemente belas, apresentando um
enorme potencial de atracção e referência turística em Moçambique. As grutas constituem um complexo de cavernas de origem calcária, localizadas num local de acesso
complicado mas que deixam qualquer um que conseguir chegar até ali estupefacto, pela magnitude de sua beleza.  O nosso interlocutor disse também ter gostado do local
onde acampou com apenas uma casa de banho e uma latrina, sem mais infra-estruturas, o que proporciona um contacto directo do turista com a natureza.
 
 
No entanto, Chico Carneiro frisou que é necessário haver uma
mudança de comportamento das comunidades locais no que diz
respeito aos conceitos tradicionais versus acesso dos turistas às
belezas naturais do país. “Nós chegamos no meio da tarde na
aldeia guardiã das grutas e em comum acordo com o régulo
decidiu-se que a cerimónia tradicional aos espíritos seria feito no
final daquele mesmo dia, para que no dia seguinte logo cedo
pudermos entrar e visitar as grutas. Mas na manhã seguinte
fomos informados que havia um problema, que os espíritos não
tinham aprovado totalmente a cerimónia, por não terem apreciado
o tipo de tabaco que levámos ao local, apesar dos produtos
levados para a cerimónia serem os solicitados pelo responsável pela realização da cerimónia e comprados por um conhecedor do assunto justamente para evitar esse tipo
de problema, consequentemente fomos obrigados a pagar mais algum valor monetário, para além dos 100 Mt cobrados por pessoa para termos acesso às grutas” –
lamentou. Acho que os costumes locais e práticas culturais, que têm que ser respeitados, não podem ser utilizados de uma maneira mercantilista, sob o risco de fazer com
que os pessoas desistam de fazer esse tipo de turismo em Moçambique” – comentou Chico Carneiro. Outros membros do grupo reclamaram também do comportamento
negativo de alguns membros da família responsável pela realização dos referidos ritos, de ficar permanentemente reclamando dos seus problemas pessoais (pedindo
dinheiro, comida, remédio, roupas, entre outros pedidos ) como se os turistas fossem responsáveis por resolvê-los, e causando um visível desconforto ao grupo. Por sua
vez, Luís Soeiro classificou as grutas como sendo impressionantes e disse que o que viu ultrapassou em todos os aspectos as suas expectativas. Todavia, lamentou duma
questão que viu nas grutas que na sua opinião não poderia suceder. “É estranho que algumas pessoas tenham preferido gravar seus nomes e das suas instituições, em
algumas paredes da gruta, facto que altera a sua beleza natural” – observou.
 
Já Luísa Humbane qualificou as grutas
como espectacularmente belas e
fantásticas. Paralelamente, disse ter
gostado do convívio com a comunidade
local, de interagir com pessoas simpáticas
e sempre prontas a ajudar. No entanto, ela
disse não perceber o por quê do pagamento
de 100,00Mt por pessoa, para além da taxa
de realização da cerimónia de passagem às
grutas. Igualmente ela pergunta sobre o
destino do dinheiro cobrado, uma vez que
não existe um comité de gestão
estabelecido na região que é órgão
comunitário legalmente reconhecido para
receber uma parte das receitas resultantes
da exploração de recursos naturais da sua
área em benefício da comunidade.
Referir que o distrito de Cheringoma é um,
dentre muitos outros locais, que possuem
belezas naturais desta terra deslumbrante,
aguardando silenciosamente o momento para
serem conhecidos, explorados e estudados.
Depois da visita às grutas o grupo conheceu as
Cascatas de Morumbodzi e subiu a Serra da
Gorongosa, chegando até ao seu  ponto mais
alto ( o pico Gogogo), com 1.863 metros de
altitude. “Apesar de não ter comparação
possível do que vi ano passado no Monte
Binga, na província de Manica, fiquei
positivamente impressionado com a floresta
tropical, os rios, vales... tivemos a sorte de
pegar bom tempo o que permitiu-nos
presenciar um dos mais espectaculares pôr e
nascer de sol dos que já vimos aqui em Moçambique. A privilegiada visão do céu estrelado na noite em que acampamos no topo do monte foi outro momento
inesquecível que, felizmente, ficou registado nas nossas fotografias... ” – explanou Chico Carneiro. “Um outro privilégio foi poder ouvir o canto do endémico “Papa-figo
de cabeça verde”, que o meu colega Mário Traversi ainda conseguiu fotografar”- acrescentou. A região da Serra da Gorongosa apresenta, sem dúvida, paisagens de
grande beleza e até mesmo aos mais desatentos vem atraindo por sua variedade de fauna e flora, rios e cachoeiras de águas límpidas. Nesta majestosa cadeia montanhosa
localiza-se a cascata do rio Murombodzi, com água caindo de mais de cinquenta metros de altura, por entre frondosas árvores para as piscinas naturais que se formaram
nas rochas. Por fim, o grupo conheceu o PNG, área de conservação com uma diversidade de ecossistemas e fauna bravia.
O grupo chamado “Moçambique Aventura” e no ano passado subiu ao Monte Binga, o ponto mais alto de Moçambique Quanto ao balanço o grupo, aberto a qualquer
pessoa extrovertida, avalia positivamente a digressão à província de Sofala e agradece o imprescindível apoio dado pelo staff do PNG, principalmente nas pessoas do
Hendrik Pott, do Pedro Canteiro, do João Viseu, do Carlos Lopes Pereira e da Regina Cruz; pela população local e pelo nosso jovem guia, o Castro Morais, que
possibilitou levar a bom termo a sua aventura nesta região do país.

Fotos: Moçambique Aventura (Mário Traversi e Chico Carneiro)
Texto: Carlitos Sunza (Departamento de Comunicação/PNG)